Em resposta ao http://anarusche.com/blog/?p=1462
Os espelhos são sempre objetos deprimentes, possuídos de uma felicidade ingênua e feitos para refletir perfeitamente um universo de imperfeições. Não importam os polimentos, banhos de prata e tratamentos com cristal, à superfície refletora caberá sempre e apenas refletir o pó nas bochechas, os dentes branqueados e cremes rejuvenescedores.
Se um dia um espelho se pusesse a refletir o rugoso, em sua face lisa, certamente seria quebrado, acusado de defeito de fabricação, porém a deformação está mesmo no que é refletido.
Certamente, com medo do canhoto, mataríamos com um punhal esse amontoado de carne pecadora, depravada e macilenta que se encontra na nossa frente, apenas para falecermos, vítimas do punhal-reflexo.
